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Guia NR-1

NR-1 e riscos psicossociais

Desde 26 de maio de 2026, a NR-1 exige que as empresas incluam os fatores de risco psicossociais relacionados ao trabalho no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais. Na prática, é preciso identificar esses riscos, avaliá-los com critérios documentados, agir sobre as causas e registrar o processo, no PGR quando ele se aplica.

Atualizado em

Como chegamos aqui

  1. Portaria MTE nº 1.419Dá nova redação ao capítulo de Gerenciamento de Riscos Ocupacionais da NR-1 e inclui os fatores de risco psicossociais de forma expressa.
  2. A nova redação entra em vigorOs riscos psicossociais passam a fazer parte do GRO, como os riscos físicos, químicos e ergonômicos.
  3. Desde a vigênciaFiscalização com dupla visitaA atuação começa orientativa, o que não dispensa a adequação.

O que é a NR-1

A NR-1 é a Norma Regulamentadora nº 1 do Ministério do Trabalho e Emprego. Ela reúne as disposições gerais de saúde e segurança no trabalho e define o Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO), documentado no Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR) quando ele se aplica.

GRO
O processo contínuo de identificar perigos, avaliar riscos e adotar medidas de prevenção.
PGR
O documento do GRO, com o inventário de riscos e o plano de ação.
Risco psicossocial
Uma condição da organização, da gestão ou das relações de trabalho, não um diagnóstico da pessoa.

O que a norma exige

Cinco movimentos que a empresa precisa demonstrar

A NR-1 cobra um processo, não apenas um documento. A empresa escolhe o método, mas precisa mostrar que ele funciona nas condições reais de trabalho.

  1. 1

    Olhar as condições reais de trabalho

    Metas, jornadas, organização, relações e liderança entram na análise, por atividade, função ou grupo de exposição.

  2. 2

    Ouvir os trabalhadores

    A percepção de quem faz o trabalho é parte da identificação dos perigos e da revisão das medidas.

  3. 3

    Avaliar e classificar os riscos

    Com critérios de severidade e probabilidade que a própria empresa define e documenta.

  4. 4

    Agir sobre as causas

    As medidas de prevenção entram no plano de ação, com cronograma e forma de acompanhamento.

  5. 5

    Registrar e revisar

    O inventário e o plano de ação ficam no PGR, quando aplicável, e são revistos quando o acompanhamento mostra que algo não funcionou.

O que a NR-1 não exige

  • Um questionário único
  • Uma matriz única
  • Um índice único

O Ministério do Trabalho e Emprego esclareceu que a norma não determina ferramenta única e que um questionário isolado não comprova gestão. A fiscalização tende a olhar a coerência entre as condições observadas, o inventário, a Avaliação Ergonômica Preliminar, o plano de ação e as medidas executadas.

Fatores de risco

Os 13 fatores que o benchmark acompanha

Cada fator pode ser medido com escalas validadas, como o COPSOQ, e cruzado com afastamentos, rotatividade, absenteísmo e denúncias.

  1. 01Carga excessiva de trabalhoVolume de tarefas acima da capacidade de execução.
  2. 02Demandas cognitivas elevadasExigências mentais intensas, complexas e contínuas.
  3. 03Eventos violentos ou traumáticosExposição a violência ou a situações de forte impacto emocional.
  4. 04Justiça organizacionalPercepção de falta de equidade nas decisões e nos processos.
  5. 05Gestão de mudançasTransições mal planejadas ou mal comunicadas.
  6. 06Baixa autonomia e controlePouca liberdade de decisão sobre o próprio trabalho.
  7. 07Insegurança no empregoIncerteza constante sobre a continuidade do vínculo.
  8. 08Barreiras na comunicaçãoFalhas na transmissão de informações importantes.
  9. 09Conflitos interpessoaisDesentendimentos frequentes entre colegas ou com a gestão.
  10. 10Falta de reconhecimentoAusência de valorização e de retorno sobre o trabalho.
  11. 11Ausência de suporteFalta de apoio prático ou emocional da liderança.
  12. 12Deficiência em capacitaçãoPoucas oportunidades de desenvolvimento.
  13. 13Falta de sentido no trabalhoDesconexão com a missão e o propósito da empresa.

Benchmark Great People

Onde o risco se concentra, setor a setor

O benchmark da Great People reúne 2.081 empresas de oito setores e foi publicado na MIT Sloan Management Review Brasil em setembro de 2026.

empresas analisadas
2.081
trabalhadores nas empresas analisadas
1.500.509
das combinações entre setor e fator em faixa de ação
63%
índice médio de justiça organizacional, o maior entre os fatores
7,34
Fatores em faixa de ação, por setorQuantos dos 13 fatores pedem ação em cada setor, com o mesmo peso para todos os setores.
  1. Saúde12 de 13
  2. Transporte12 de 13
  3. Alimentos e bebidas12 de 13
  4. Indústria9 de 13
  5. Varejo7 de 13
  6. Automotivo7 de 13
  7. Financeiro6 de 13
  8. Serviços1 de 13

Ponderando pelo número de empresas, a parcela em faixa de ação cai de 63% para 41%, em parte porque Serviços reúne 47% das empresas e tem exposição menor. A média geral esconde onde o risco está.

Justiça organizacional atravessa todos os setores

Foi o único fator em faixa de ação nos oito setores, com índice médio de 7,34, 22% acima do segundo fator, falta de reconhecimento (6,00). Em Saúde, chegou a 9,03, o maior valor de toda a matriz.

Justiça organizacional · Saúde9,03
Justiça organizacional7,34
Falta de reconhecimento6,00
Índice de Risco PsicossocialProbabilidade × severidade, de 1 a 25. A partir de 5, o risco pede ação documentada.
Trivial1–2
Tolerável3–4
Moderado5–9
Substancial10–15
Intolerável16–25

Eventos violentos ou traumáticos foi o único fator abaixo do limiar nos oito setores, o que não os torna menos graves quando acontecem.

O índice fixa a severidade no nível moderado, então as diferenças refletem sobretudo a frequência percebida. A matriz 5 × 5 é uma escolha do estudo, não uma matriz oficial da NR-1, e 1.500.509 é a população coberta, não o número de respostas. O benchmark orienta prioridades, mas não substitui a avaliação interna.

Ler o estudo na MIT Sloan Review

Leve a NR-1 para a gestão

A Jornada NR-01 transforma a avaliação dos riscos psicossociais em matriz de risco, prioridades e plano de ação para o PGR.

Perguntas frequentes

Dúvidas sobre a NR-1

O que as empresas mais perguntam sobre riscos psicossociais.

  • A nova redação da NR-1, dada pela Portaria MTE nº 1.419/2024, entrou em vigor em 26 de maio de 2026. As primeiras fiscalizações seguem o critério de dupla visita, com caráter orientativo, sem dispensar a adequação.

  • Não. A norma não determina questionário, matriz ou índice únicos. Instrumentos validados, como o COPSOQ, ajudam, mas um questionário isolado não comprova gestão. Ele precisa levar ao inventário de riscos e ao plano de ação.

  • É uma condição da organização, da gestão ou das relações de trabalho que pode causar dano à saúde, como carga excessiva, baixa autonomia ou falta de reconhecimento. É uma característica do trabalho, não um diagnóstico da pessoa.

  • No inventário de riscos e no plano de ação do PGR, quando ele se aplica, junto com os demais riscos ocupacionais. A fiscalização tende a comparar esses registros com as condições observadas e com a Avaliação Ergonômica Preliminar.

  • Para se situar e decidir onde investigar primeiro. Ele não substitui a avaliação interna por atividade, função ou grupo de exposição, que é onde a gestão acontece.

  • Com a Jornada NR-01, que avalia os riscos com a Pesquisa de Clima GPTW ou o COPSOQ, monta a matriz de risco e entrega recomendações para o PGR. Aulas com especialistas sobre os fatores prioritários podem entrar como complemento.

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